dez 312014
 
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TMPC Nightcrawler

 

Jornalismo sensacionalista e a guerra entre as emissoras. Os noticiários com os casos mais sangrentos e em busca da audiência a qualquer preço. O sangue escorre do olho da vítima caindo diretamente no tapete da sala. Pode-se sentir na garganta a aflição do motorista preso nas ferragens ou ainda a bala que atravessa o peito do inocente. A faca estalando no peito e rasgando a carne. As reportagens são feitas com o imediatismo que o cotidiano exige e muitas vezes com entradas dos repórteres ao vivo do local dos acontecimentos. O realismo a flor da pele para manter o espectador grudado no noticiário. Mas até onde o ser humano é capaz de ir para conquistar seus objetivos? Esse é uma das muitas perguntas feitas em “O Abutre”.

No início de tudo Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um biscate que vive entre um emprego e outro sem paradeiro fixo e nenhum tostão no bolso e vivendo de pequenos delitos. Porém ele tem um trunfo que com o tempo poderá ser uma arma letal em suas conquistas: o discurso. Sua capacidade de convencimento e de vender a si mesmo é tão grande que cedo ou tarde alcançará seu objetivo. Em uma de suas andanças na madrugada presencia um grave acidente e por curiosidade pára: um cinegrafista registra tudo e no dia seguinte as imagens inéditas estão rodando nas emissoras. Louis vê ali um nicho em que pode se dar bem. E dali parte na sua saga.

Os questionamentos apontados em “O Abutre” permeiam a ética profissional e também qual a contribuição de quem adquire os diretos de exibição dessas imagens, para o crescimento deste mercado negro. Tratado pelo diretor como um submundo o filme conta a história do sociopata e as que vantagens pode tirar da desgraça alheia. O sofrimento do próximo é o que mais interessa não só a ambos, mas também a uma massa ávida e estereotipada pelo próprio meio de comunicação.

Tido como um cidadão que paga seus impostos e trabalhando arduamente ele vai galgando seu espaço e tirando de seu caminho aqueles que o importunam. A qualquer preço.

Certamente a obra será referência nas escolas de comunicação do mundo inteiro pela ética e até pelo dia a dia dos profissionais da área, não só o interpretado por Gyllenhaal mas também pelo papel de Rene Russo a quem interessa a audiência e também sua própria sobrevivência. A cena do embate entre a bela e a fera é digno de um bom roteiro, fazendo com que o espectador fique assustado e preso a cadeira: o jogo de gato e rato travado entre fornecedor e receptor é digno de ser lembrado também daqui há alguns anos como um dos grandes do cinema.

Uma direção segura, firme e uma fotografia “noir” que reflete bem a personalidade de Louis Bloom. Um roteiro consistente e que deixa a dúvida do desfecho até o final. Um filme que desmascara herói ou bandido. Ética ou sobrevivência? Até que ponto chegamos?

 

LInk para o IMDb

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