dez 302014
 
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A comédia como estilo de filme as vezes pode pregar suas peças. Podemos nos defrontar as telas e sair da sala sem dar ao menos um sorriso, ou ainda ter câimbras no maxilar de tanto gargalhar (normalmente quando o nonsense aparece). Porém o mais surpreendente é ir das graças as lágrimas em um filme tão completo como “A Família Bélier“. Filme que acaba nos provando mais uma vez que os franceses são mestres indiscutíveis não só na técnica, mas também na sensibilidade de tratar temas bem complicados com uma simplicidade artística comovente.

O mesmo diretor do ácido “Os Infiéis” em 2012 também é capaz de se mostrar sutil e objetivo em 2014 quando nos apresenta a família de surdo-mudos Bélier, que convive em um vilarejo onde produz e vende queijos para sobreviver. A adolescente Paula (Louane Emera) faz o contra-ponto, pois estuda, trabalha junto com os demais e ainda serve de intérprete de sinais quando uma situação mais complexa surge. Mal sabia ela que possuía o dom da voz e de cantar tão bem que acaba impressionando o professor de música da escola: ele sugere se inscreva em um concurso para a escola de música Radio France de Paris. Ironias do destino à parte, como demonstrar a sua família que possui algum talento?

A história trata de forma leve e suave o que seria para muitos um empecilho, vem a demonstrar que a ausência de voz (ou sons) não é nenhum motivo para que até as tarefas aparentemente mais difíceis sejam cumpridas com a maior vontade e desapego. O ato de “falar” em público ou expor seus sentimentos não são colocados como uma dificuldade, e sim como apenas mais um caminho para que exista uma libertação do preconceito daqueles ditos “perfeitos”. Deficiente é quele que não aceita a maneira de ser do outro. Só o convívio íntimo e diário faz com que barreiras sejam ultrapassadas. Mas ao mesmo tempo que ante tanta liberdade de ser ou estar, a obra coloca em cheque essa tal liberdade quando da ameaça iminente da filha ir para outra cidade se coloca como uma realidade inesperada. Seria este o momento de voar?

Para a atriz Louane Emera não foi nenhum fardo interpretar uma personagem que descobre o talento de cantar sendo que foi uma das atrações do “The Voice” francês em 2012. Porém não há como tirar o mérito da personagem principal, uma vez que acaba por carregar praticamente todo o apelo emocional do filme, sempre como elo de ligação para todas as passagens do roteiro. Quase como um reality de sua própria vida, a cantora/atriz também esboça com qualidade as passagens da adolescência para a vida adulta, os colegas na escola, o primeiro namorado, e a propensa saída de casa alçando vôos mais e mais altos fazendo quase uma metáfora de sua própria metáfora.

Empolgante, cômico e emocionante. Um filme para toda a família.

 

 

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