dez 162014
 
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TMPC_BoaSorte

 

O cinema nacional deu uma guinada radical desde sua própria reinvenção após “Carlota Joaquina” tirando de vez a pornochanchada de seu caminho e investindo obras de mais responsabilidade e contexto social. Em “Central do Brasil” veio com força arrebatando todos os prêmios e vislumbrando Walter Salles Jr. como nosso ponto de partida, e de quebra alçando (merecidamente) Fernanda Montenegro aos status de estrela internacional concorrendo inclusive a estatueta do Oscar, e injustamente preterida pela insonsa Gwyneth Paltrow. Logo após as comédias foram o ponto de referência, continuando até hoje tendo seu público cativo e liderando bilheterias. O drama/ficção ficou com a parte mais séria e didática trazendo personagens fortes e uma temática complexa visto a quantidade de temas que possuímos em nosso país. Porém no filme de Carolina Jabor ainda temos o resquício do nú pelo nú como objeto de atenção e o apelo principal de “Boa Sorte” é a atriz Deborah Secco.

A atriz tem o seu ápice como artista, e se sobressai como Judite: uma portadora de HIV, (inclusive emagrecendo 14 quilos para o papel) viciada em drogas, barbitúricos e que não tem nenhuma expectativa de vida, mas ainda assim aguarda na clínica de reabilitação seu fim iminente. A clínica é paga pela avó, que a mantém também com outras ilegalidades. Lá encontra o adolescente João, que foi internado pelos pais para livrar-se da compulsão pelo consumo de Frontal (remédio) com Fanta Laranja. O relacionamento se desenvolve em um misto de carinho, amor fraterno, paixão e sexo casual. Não para João, que se apaixona por aquela que seria eternamente sua musa.

Mas o filme não é só isso, possuindo seus altos e baixos: a fotografia do lugar expõe o abandono das clínicas e o descaso dos profissionais com a manutenção do lugar. Também usa a indiferença dos pais em relação a seus filhos usando a clínica como depósitos híbridos, simplesmente encontrando uma solução para seus problemas afastando-se deles. A poesia e a loucura, e que se estimulados positivamente são arte: na imensidão dos pensamentos absortos encontramos o mais puro nirvana.

Porém nem tudo são flores: muitas vezes todos os atributos citados acima só podem ser percebidos com a sensibilidade do espectador, talvez pela falta de experiência com longas da diretora, que consegue extrair pouco dos personagens principais (ainda que Deborah Secco se esforce ao máximo). Também a falta de direção nos coadjuvantes acabam por deixar a obra caricata e sem veracidade. A trama poderia ser muito mais aprofundada, tanto no roteiro escrito por Jorge Furtado e seu filho Pedro, quanto no desenvolvimento dos personagens: quem são, como pensam, para onde vão, porque estão ali e qual a real de cada um deles…

No mais não passa de uma história (bem) contada, com um final esperado e sem surpresas.
Porém há futuro para o cinema nacional.
Bastante promissor.

 

 

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