maio 062014
 
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Getúlio Poster

Não sejamos hipócritas: quem acreditava que o garoto-propaganda da Friboi interpretaria de maneira realista o grande
ditador/estadista brasileiro? Pois Toni Ramos é uma grata surpresa no papel do presidente “Getúlio”. Talvez a pequena
expectativa da execução de um grande filme, com um elenco global, tenha minimizado a grandeza dos fatos históricos
acontecidos no mês de agosto de 1954 (que viraria livro nas mãos de Rubem Fonseca, e mais tarde adaptado em mini-série). A
caracterização dos personagens, com uma cuidadosa seleção de fisionomias, a ambientação do clima tenso vivido dento do
Catete, as brigas na mídia comandadas por um ambicioso Lacerda (trazido à risca por Alexandre Borges), e a expectativa do
povo perante as decisões políticas tão importates para a época são vívidas e trazem um excelente realismo. Mas o grande
trunfo da obra é conseguir traçar um perfeito paralelo com os tempos atuais: nosso presidente “desconhece” e não consegue
ver o que acontece em sua própra equipe de governo, bem como quando cita que os nomes que hoje regem a política hoje, são
os mesmos que nos regiam à trinta anos atrás. Ou ainda, em uma das memórias antes do suicídio, Getúlio comenta: “nunca me
pediram para fazer alguma coisa pelo meu país, mas sempre por alguém”. Frases de efeito encaixadas no contexto são a chave
de um roteiro bem escrito e que não deixa a peteca cair em momento algum. Aviso aos navegantes: é um filme sobre política,
debates, discursos e jogos de palavras. Se não faz o seu gênero, não saia de casa. Deixe para aqueles que gostam do tema,
que conhecem história, ou ainda que viveram a época. Boa diversão.

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